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  • Marcelo Madeira

A Revolução Industrial

A Revolução Industrial, que começou no final do século 18, trouxe avanços significativos na manufatura, tecnologia e produção em grande escala.


No entanto, também desencadeou uma série de mudanças ambientais substanciais devido à queima de combustíveis fósseis, como carvão e petróleo, para impulsionar as máquinas.


Isso resultou na liberação massiva de dióxido de carbono (CO2) e outros poluentes na atmosfera, contribuindo para as mudanças climáticas e outros impactos ambientais.


O Iluminismo, como corrente filosófica, promoveu ideais de razão, ciência e progresso humano.


Escute o artigo na íntegra no formato podcast




Muitos dos avanços tecnológicos e industriais da Revolução Industrial foram alimentados pelo pensamento iluminista, que enfatizava a aplicação da razão e do conhecimento para melhorar a vida humana.


No entanto, essa ênfase na racionalidade também levou a uma exploração intensiva dos recursos naturais. E se me permitirem, vou mais além, essa mesma racionalidade ao extremo imposta pelo Iluminismo é responsável pela desconexão do ser humano e a natureza.


Os filósofos iluministas acreditavam que a aplicação da razão e do conhecimento humano poderia levar a melhorias significativas na sociedade e na vida das pessoas.


Muitos dos avanços tecnológicos que marcaram a Revolução Industrial do final do século 18 e início do século 19 foram alimentados por esse pensamento iluminista.


Essa ênfase na racionalidade e na busca pelo progresso levou ao desenvolvimento de novas máquinas, processos de fabricação e tecnologias que impulsionaram a produção e a eficiência.


As inovações como a máquina a vapor, a tecelagem mecânica e a produção em massa transformaram a indústria e a economia.


Florestas foram derrubadas em larga escala para fornecer madeira e carvão, rios foram canalizados e poluídos para fornecer energia e água para as fábricas, e minas foram escavadas profundamente para extrair minerais e minérios.


À medida que a Revolução Industrial avançava, essas consequências ambientais se tornavam mais visíveis e preocupantes.


E foi justamente, a ênfase na razão e no progresso inserida pelo pensamento iluminista que nos levou a essa visão antropocêntrica.


Essa visão da qual a natureza é uma coisa, é uma mercadoria; essa visão da qual a natureza é algo a ser conquistado e dominado pelo homem.


As implicações, portanto, entre o Iluminismo e Revolução Industrial deixaram um legado duradouro na relação entre os seres humanos e a natureza.


Porém, nada teve um impacto tão profundo nas esferas ambientais e sociais quanto o Liberalismo Econômico. As ideias liberais desempenharam um papel fundamental na Revolução Industrial, impulsionando a incessante busca por lucro e a acumulação de capital que levaram as nações industrializadas a experimentarem um rápido crescimento econômico.


No entanto, esse crescimento muitas vezes ocorreu à custa de graves danos ao meio ambiente e ao tecido social.


Nos anos imediatamente após sua ascensão, poucas regulamentações trabalhistas ou ambientais estavam em vigor para conter esses efeitos prejudiciais.


Os trabalhadores enfrentavam longas horas de trabalho, baixos salários, falta de segurança no trabalho e condições insalubres.


Muitas vezes, incluindo crianças, eram forçados a trabalhar em ambientes perigosos.


Além disso, o rápido crescimento das cidades industriais trouxe outros desafios em termos de infraestrutura, habitação e saneamento.


Muitas cidades enfrentaram superlotação, falta de moradia adequada e questões de saúde pública.


Mas o impacto socioambiental não ficou só por isso. As nações industrializadas começaram a buscar ativamente recursos naturais e mercados em todo o mundo.


Esse processo de expansão econômica foi responsável pelo surgimento do imperialismo, com a Europa e os Estados Unidos estendendo seus impérios coloniais para garantir o acesso contínuo às valiosas matérias-primas necessárias para sustentar suas indústrias em rápido crescimento.


O imperialismo não apenas moldou as relações internacionais, mas também aprofundou o abismo social entre as nações colonizadoras e as nações colonizadas.


A Europa e os Estados Unidos exerciam controle político, econômico e muitas vezes cultural sobre vastas áreas coloniais, enquanto exploravam essas regiões para enriquecimento próprio.


Isso frequentemente resultava em uma exploração desenfreada dos recursos naturais das colônias e na opressão das populações principalmente localizadas na América Latina, África, Sul Asiático e Austrália.


Com isso, o imperialismo deixou um legado de desigualdade econômica e social duradoura entre os países industrializados e as nações colonizadas e até mesmo, muitas vezes, escravizada.


O legado desse abismo social continua a ser sentido até os dias atuais em muitas partes do mundo, destacando a complexidade das relações históricas entre países colonizadores e colonizados.


Portanto, a influência do Iluminismo e do Liberalismo na Revolução Industrial é evidente.


O desejo de progresso, inovação e desenvolvimento econômico estava intimamente ligado à exploração intensiva dos recursos naturais e à degradação ambiental.


O que causou um profundo impacto social, moldando as condições de vida, as relações de trabalho e a estrutura da sociedade.


Essas mudanças sociais, juntamente com os impactos ambientais, definiram uma era de transformação significativa na história da humanidade.


Essa conexão histórica entre pensamento filosófico, pensamento econômico e o impacto socioambiental é uma parte importante do debate sobre o início do "Antropoceno."


Mostra como as ideias e os valores podem moldar a relação entre a humanidade e o meio ambiente, destacando a importância de considerar esses fatores ao discutir as mudanças geológicas e ambientais que estamos vivenciando.


Artigo de Marcelo Madeira

 
Universo Candura


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